quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Twitter e suas previsões eleitorais

            É impressionante notar a capacidade dos brasileiros ditos cultos de fazerem a cada novo acontecimento previsões sobre os resultados das futuras eleições. Não estou, em hipótese alguma, condenando o exercício de análise e leitura dos quadros sociais e factuais que se apresentam, projetando seus prováveis desdobramentos político-eleitorais. Este exercício crítico é louvável e em muito contribui para o fortalecimento de nossa democracia. Porém, em muitos casos, as “análises” são tão superficiais que os diagnósticos parecem saídos de búzios, bolas de cristal, e afins.
           
            Situações como a que o estado do Rio viveu - e ainda vive – nas últimas semanas geram um sem número de comentários sobre os próximos pleitos, especialmente nas redes sociais. No twitter, por exemplo, todos (ou quase) se transformam em cientistas políticos, desferindo verdades absolutas em 140 caracteres. Verdades que se modificam a cada novo fato.
           
            Quando da eleição de Dilma, a opinião corrente era que o próximo presidente da república seria Aécio Neves - “como dois mais dois são 4” – tendo como vice Sérgio Cabral, do PMDB - “partido que nunca larga o governo” . Com um grande porém: “se Lula quiser, Ele volta”  - assim mesmo com “E” maiúsculo - , mas “o certo é que Dilma não se reelege”.
           
            Após as recentes ações policiais na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, Cabral se tornou o mais novo “futuro Presidente do Brasil, pois, com sua recém adquirida popularidade, “não vai aceitar ser vice de ninguém” e “era tudo o que o PMDB queria” para, enfim, eleger um presidente. O governador fluminense já fez, inclusive, seu sucessor: o secretário de segurança José Mariano Beltrame. “Alguém duvida que Beltrame será o futuro governador?” Vale lembrar que, até então, o futuro morador do Palácio Guanabara ainda estava “indefinido”: ou seria o senador eleito Lindberg ou, o “filhote” do Cabral, Eduardo Paes. 
           
            Muitas das previsões alardeadas nas redes sociais podem, sim, se tornar realidades. Por que não? O que é preciso é maior prudência nos comentários pois os verdadeiros futuros mandatos ainda nem começaram. Dilma ainda não assumiu. Cabral está no final de seu primeiro mandato, tendo todo um segundo pela frente.  Em futebol, quantos jogos não se decidem no segundo tempo? Seja para resultados a favor ou contra.
            No decorrer dos próximos quatro anos, certamente, emergirão outros fatos que, devido às suas relevâncias  momentâneas, produzirão, para os cientistas sociais da internet,  novos nomes para os cargos do executivo municipal, estadual e federal. Alguém duvida?