Em sua última coluna publicada pelo Portal Aprendiz no ano de 2010, Gilberto Dimenstein se despede da primeira década do século XXI afirmando que “já houve diferentes grupos no poder: bacharéis, militares, economistas. A próxima década será a era dos educadores.” Na mesma toada, Dilma Rousseff inicia seu mandato presidencial – o primeiro da nova década – reconhecendo a importância dos professores para o desenvolvimento do pais –“só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação” - e colocando a educação como uma das prioridades de seu governo.
Os discursos de Dilma e Dimenstein refletem um novo momento para a política nacional. Controlada a inflação e reduzida, de forma substancial, a pobreza, novos desafios emergem e a educação se apresenta como o maior deles. Uma vez que a população adquire renda e passa a consumir de maneira sistemática, seus anseios mudam e, consequentemente, muda-se também o cenário político. É como já dizia os Titãs há mais de 20 anos: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.” Parece que agora, de barriga cheia, a população finalmente entendeu e passou a entoar esse refrão, o que exige dos governantes novas práticas. O velho assistencialismo perde espaço e o acesso ao conhecimento se configura como um dos produtos mais requisitados pelo povo.
Ao colocar a educação como prioridade, Dilma inicia bem seu mandato, e eleva as esperanças do povo em relação ao futuro. Porém para que o compromisso assumido pela presidente não fique apenas em palavras, é preciso que algumas medidas sejam tomadas. Não falo unicamente de investimentos, mas de reformas pontuais e urgentes.
A primeira delas é, certamente, a obrigatoriedade de gestão profissional do ensino. Diretores de unidades escolares serem definidos por apadrinhamentos políticos não é mais condizente com a realidade de nosso país, pois gera arbitrariedade, autoritarismo e feudos eleitorais. O diretor passa a não ter compromisso com a escola, com a educação, e sim com aquele político que o colocou no cargo, fazendo de sua gestão uma contínua campanha eleitoral em favor de seu benfeitor. Nossa democracia, constantemente declarada forte e madura, não pode permitir a continuidade dessas velhas e repugnantes práticas.
Outra importante medida a ser tomada é, como diz Dimenstein em seu já citado artigo, a aprovação de “uma lei da responsabilidade educacional, que puna, com pesadas multas, todos os níveis de governo que não cumprirem suas obrigações educacionais.”
Parece até meio utópico pensar em uma lei como essa num país onde as escolas são geridas por indicação política e não por competência profissional. Em todo caso, ficam nossa esperança e nosso “olho aberto” no governo que se inicia.
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